CEDOJ

Cristiano Soares • 20 de setembro de 2026

Seu filho diz que enxerga bem. Isso significa que a visão dele está realmente boa?

Pergunte para uma criança pequena se ela enxerga bem e provavelmente a resposta será sim.

O problema é que ela não tem outra visão para comparar.

Uma criança que sempre enxergou o quadro com dificuldade pode acreditar que todo mundo enxerga daquela maneira. Quem apresenta diferença visual entre os olhos também pode compensar utilizando mais o olho que enxerga melhor e não perceber que existe um problema.

Por isso, esperar uma criança reclamar para só então avaliar sua visão pode não ser a melhor estratégia.

A American Academy of Ophthalmology destaca a importância do rastreamento visual ao longo do desenvolvimento infantil, justamente porque a detecção precoce pode identificar problemas antes que provoquem perda visual permanente ou atrasos no desenvolvimento.

A própria CEDOJ já aborda a importância da avaliação visual durante a infância e possui conteúdo específico sobre acompanhamento oftalmológico infantil.


Criança nem sempre sabe explicar o que está acontecendo


Esse é um dos principais desafios.

Um adulto consegue dizer que as letras estão duplicadas, que a visão piorou à distância ou que sente dificuldade para focar.

Uma criança pode simplesmente perder o interesse pela atividade.

Ela se aproxima do caderno.

Senta mais perto da televisão.

Aperta os olhos.

Evita leitura.

Esfrega os olhos.

Ou parece distraída quando, na realidade, não está conseguindo enxergar confortavelmente.

Nenhum desses comportamentos confirma sozinho a existência de um problema visual. Mas eles podem justificar uma avaliação.


Visão e desenvolvimento caminham juntas


A infância é uma fase importante do desenvolvimento do sistema visual.

Problemas como ambliopia, estrabismo e erros refrativos significativos estão entre as alterações que programas de rastreamento visual infantil procuram identificar.

É por isso que saúde ocular infantil não deveria começar apenas quando chegam as primeiras notas baixas na escola.

Antes de aprender a ler, a criança já utiliza a visão para reconhecer rostos, explorar ambientes, desenvolver coordenação e compreender o mundo ao redor.

Na escola, essa demanda aumenta.

  1. Quadro.
  2. Livros.
  3. Caderno.
  4. Telas.
  5. Atividades esportivas.
  6. Tudo exige informação visual.


Mas meu filho nunca reclamou


Esse talvez seja justamente o ponto.

Não reclamar não significa necessariamente enxergar perfeitamente.

A criança pode se adaptar àquilo que conhece. Em determinadas alterações, pode nem perceber que existe uma maneira mais nítida de enxergar.

Por isso, o acompanhamento preventivo tem valor mesmo quando aparentemente está tudo bem.

A American Academy of Ophthalmology recomenda rastreamentos visuais em diferentes etapas da infância e encaminhamento para avaliação oftalmológica quando alguma alteração é identificada.

A periodicidade e o tipo de avaliação necessários dependem da idade, do histórico e das características de cada criança.


O celular é o grande culpado?


Telas fazem parte da rotina infantil atual e precisam ser utilizadas com equilíbrio, mas é perigoso transformar o celular em explicação automática para qualquer queixa visual.

Uma criança pode apresentar dificuldade para enxergar por diversos motivos.

Se existe suspeita de alteração, o mais importante é investigar.

Culpar a tela sem avaliação pode atrasar a identificação da verdadeira causa.


Conclusão


Crianças conseguem se adaptar rapidamente.

Isso é ótimo para aprender.

Mas pode dificultar a percepção de um problema visual.

Esperar que o filho diga "não estou enxergando bem" significa esperar por uma informação que talvez ele ainda nem saiba identificar.

Na CEDOJ, em Jundiaí, o acompanhamento oftalmológico infantil permite avaliar a visão e investigar possíveis alterações de acordo com cada fase do desenvolvimento.

Cuidar da visão da criança não começa quando ela reclama.

Começa quando os adultos entendem que ela pode não saber que existe algo para reclamar.


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